Os melhores álbuns de 2025

Tudo o que ouvimos (e amamos) ao longo do ano

Arte: Júlia Lima / Downstage

Por André Artigas, Bia Vaccari, Camila Brites, Hugo Daflon, Luis Antonio, Mariana Meyer e Talita Feijó

Ao longo do ano, é inevitável se deparar com obras que nos cativaram sonora e liricamente. E em 2025, definitivamente foram muitas, mas topamos o desafio de selecionar nossos favoritos: aqueles álbuns que serviram de trilha sonora de momentos especiais a rotineiros; que independente da ocasião, não saíram dos nossos fones de ouvido.

Apresentamos a vocês, a lista de Melhores Álbuns de 2025, pela equipe do Downstage.

Greyhaven – Keep It Quiet

Em Keep It Quiet, quarto álbum de estúdio lançado em outubro de 2025 pela Solid State Records, o Greyhaven apresenta uma evolução clara, sintetizando o que houve de melhor em suas fases anteriores. A construção do álbum é incrível: as progressões nada óbvias funcionam como uma grata surpresa e não há sequer uma música para pular. É um disco que fica no repeat sem parar. Com faixas marcantes como “Burn A Miracle” e “Technicolor Blues”, o trabalho confirma que o Greyhaven é uma banda sobre a qual o público ainda ouvirá falar muito.

The Callous Daoboys – I Don’t Want to See You in Heaven

Lançado em maio de 2025 pela MNRK Heavy, I Don’t Want to See You in Heaven é o terceiro álbum do The Callous Daoboys e um prato cheio para quem gosta de transitar entre gêneros alternativos. Embora a banda seja frequentemente associada ao mathcore, o catálogo revela uma profundidade que vai muito além do rótulo, tornando-os únicos. O resultado é um disco divertido e acessível, com destaques para a criatividade em faixas como “Lemon” e “Schizophrenia Legacy”.

Bury TomorrowWill You Haunt Me With That Same Patience

Em Will You Haunt Me With That Same Patience, oitavo álbum de estúdio do Bury Tomorrow, os veteranos do metalcore britânico mostram que continuam evoluindo, talvez estejam no seu auge. A banda amadureceu pontos cruciais do disco anterior, equilibrando com precisão a parte pesada com melodias e vocais limpos. Dan Winter-Bates aparece em sua melhor forma, entregando uma execução vocal agressiva de alto nível. Entre os destaques estão “Let Go” e “Paradox” – esta última chamando atenção por sua introdução falada em português, narrada pela brasileira Georgia Bravo.

LANDMVRKSThe Darkest Place I’ve Ever Been

Lançado em abril pela Arising Empire, The Darkest Place I’ve Ever Been é o quarto álbum do LANDMVRKS e consolida o grupo como um nome essencial do metalcore francês, provando que a cena local vai muito além do Gojira. Com uma produção nítida e som extremamente limpo, este é possivelmente o melhor trabalho da carreira da banda. “A Line In The Dust”, com participação de Mat Welsh (While She Sleeps), é o ponto alto do disco, unindo progressões variadas e um refrão cativante, ao lado da também da faixa destaque “The Great Unknown”.

Thornhill – BODIES

Lançado em abril, BODIES é o terceiro álbum de estúdio do Thornhill e representa o capítulo mais grandioso e ousado da trajetória da banda de Melbourne. Com uma mixagem precisa assinada por Sam Bassal (Ocean Grove), o grupo entrega um trabalho cuja estética busca evocar confiança e extravagância. O tom do disco é definido pelo single “Obsession”, que deixa clara a influência de alt-metal e Deftones tanto na construção vocal quanto na rítmica.

SpiritboxTsunami Sea

Tsunami Sea, segundo álbum da banda canadense lançado em março, apresenta uma evolução nítida em relação ao Eternal Blue. A obra mantém os riffs com influência de djent, mas amplia o destaque para melodias com toques eletrônicos, incorporando elementos de techno. Courtney LaPlante exibe vocais mais lapidados, com gritos confiantes e limpos precisos, enquanto o instrumental de Mike Stringer permanece como o grande diferencial do grupo. As faixas “No Loss no Love” e “Fata Morgana” sintetizam bem essa nova fase.

Volumes – Mirror Touch

Chegando aos 45 do segundo tempo, em dezembro, Mirror Touch quebra um hiato de quatro anos e garante seu lugar na lista de melhores do ano e marca o retorno do Volumes com um metalcore progressivo que remete aos bons momentos do gênero. Embora não se proponha a ser um disco conceitualmente profundo, o álbum compensa com alta qualidade técnica na produção, instrumental e vocal, entregando faixas memoráveis como “S.O.A.P” e “Bad Habit”. Para os fãs Michael Barr continua liderando bem o novo direcionamento, é um play que vale a pena.

VianovaHit It!

A estreia dos alemães do Vianova com Hit It!, pela Arising Empire, é uma grata surpresa pela mistura criativa e um tanto caótica de Metalcore, djent, funk, jazz e nu-metal. O resultado é um disco divertido e eclético, que diverte sem deixar o peso de lado. Faixas como “Más Rápido” e “Melanchronic” mostram que a banda trouxe algo fresco para o gênero e merece atenção pelo que vem apresentando.

The Devil Wears Prada Flowers

Celebrando duas décadas de trajetória com Flowers, seu nono álbum de estúdio, o The Devil Wears Prada parece estar em uma fase de autorreflexão madura. Se por um lado o trabalho pode não agradar tanto aos fãs mais fervorosos do metalcore clássico, por outro serve como um ponto de entrada ideal para novos ouvintes. Em ambos os casos, o disco revela uma banda confortável com sua longevidade e ainda disposta a correr riscos. Como grande destaque disso, as faixas “When You’re Gone” e “Low” acabam exemplificando bem essa nova etapa.

Superheaven – Superheaven

Fazer música nova após um hiato de 10 anos poderia resultar em um som desgastado ou excessivamente apoiado no passado, mas para o Superheaven foi justamente o oposto. Com este terceiro álbum de estúdio, homônimo, o quarteto de rock alternativo da Pensilvânia prova que não estagnou e ainda pôde amadurecer. O trabalho chega carregado com a atmosfera de seus predecessores, mas expande a arte do grupo ao lidar com novas sensações de sobrecarga induzidas pelo presente, com destaque para as faixas “Long Gone” e “Stare At The Void”.

ArchitectsThe Sky, The Earth & All Between

Em seu décimo primeiro álbum de estúdio, The Sky, The Earth & All Between, os veteranos do Architects parecem finalmente reencontrar seu caminho desde For Those That Wish to Exist (2021). Com produção de Jordan Fish (ex-Bring Me The Horizon), o disco funciona como um lembrete de todos os toques e texturas que a banda acumulou em sua sonoridade ao longo dos anos. O destaque fica para “Everything Ends”, cativante e perfeita para grandes arenas, e “Blackhole”, que remete a sonoridade pesada do passado do grupo, com direito a um solo de guitarra de tirar o fôlego.

BudangMagia

Em Magia, primeiro álbum fruto da parceria com a gravadora Deck, a banda catarinense Budang justifica todo o hype que vem recebendo na cena nacional. Ao longo de 16 faixas, o grupo entrega um hardcore/punk que preserva a essência do estilo, mas surpreende com uma sonoridade contemporânea e sagaz. As letras funcionam como crônicas do cotidiano, misturando gírias locais com críticas afiadas à desigualdade social e ao cenário político. Com destaques para a faixa-título “Magia” e “Deixa Quieto”, o trabalho consolida a banda como uma das vozes mais autênticas e urgentes do gênero.

UnprocessedAngel

Embora o Unprocessed já tenha uma estrada percorrida, o álbum Angel soa como um novo começo e marca a ascensão definitiva da banda alemã. O quarteto entrega uma produção afiada que equilibra, com maestria, a tecnicidade pesada do djent e elementos de prog com uma sensibilidade pop cativante. O grande trunfo do disco está nos contrastes que prendem a atenção: gritos ferozes que colidem com vocais limpos quase que “angelicais”. Essa dinâmica atinge seu ápice em destaques como “Solara”, com a participação marcante de Zelli (do Paleface Swiss), e “Beyond Heaven’s Gate”.

Deftonesprivate music

Em private music, o Deftones volta a trabalhar com o produtor Nick Raskulinecz (Diamond Eyes, Koi No Yokan), entregando um trabalho que reúne elementos de toda a sua discografia. A banda consegue sintetizar sua carreira em um de seus melhores trabalhos nos últimos 10 anos. private music mostra por que o Deftones segue sendo uma dos nomes mais importantes e relevantes do metal alternativo, com um disco consistente, que respeita e reconhece a importância de tudo que já foi feito, mas que também ressalta o momento atual e criativo do grupo.

TURNSTILE NEVER ENOUGH

NEVER ENOUGH é uma “continuação” natural de GLOW ON. Aqui, o TURNSTILE expande os caminhos abertos em seu antecessor, experimentando ainda mais e ampliando a sua sonoridade. O disco é hardcore, é alternativo, é pop, é experimental, mas, acima de tudo, é TURNSTILE. Um álbum que mostra uma banda que não tem medo de se prender em rótulos, mas que mantém a sua essência enquanto segue olhando para novos caminhos e possibilidades. O resultado é uma obra que fura a bolha e coloca o TURNSTILE como um dos maiores nomes de sua geração. Pode não soar tão criativo e impactante quanto GLOW ON, mas mantém o mesmo nível de qualidade e abre novas possibilidades para a banda e seus fãs.

Three Days GraceAlienation

Em seu oitavo álbum, o Three Days Grace mostra sua nova formação, com o retorno do vocalista original Adam Gontier. Alienation mostra a sinergia entre os dois vocalistas, com um ótimo trabalho entre Adam e Matt Walst, entregando o melhor dos dois mundos para os fãs de ambas as fases do grupo. A sonoridade da obra tem o DNA do Three Days Grace, com músicas consistentes e bem trabalhadas, mas o elemento principal é combinação das vozes dos dois vocalistas, com cada um respeitando seu espaço e priorizando o resultado final. Um disco que deixa o fã ansioso e esperançoso pelo futuro do Three Days Grace.

YellowcardBetter Days

O primeiro disco de inéditas do Yellowcard após sua aguardada reunião, Better Days retoma a boa forma do grupo em entregar um pop punk nostálgico e contagiante. A obra é inspiradora e um prato cheio para os fãs da fase “clássica” do Yellowcard. Com produção de Nick Long, Andrew Goldstein e Travis Barker (Blink-182), que também tocou bateria no álbum, Better Days reforça que o Yellowcard está mais vivo do que nunca e em ótima forma.

AFISilver Bleeds the Black Sun…

É sempre uma tarefa difícil saber o que esperar de um novo trabalho do AFI. A banda sempre se reinventa e explora novas sonoridades a cada novo lançamento, e em Silver Bleeds the Black Sun…, não foi diferente. Mergulhando em influências da música gótica e do pós-punk, o AFI trouxe uma sonoridade mais dark, introspectiva e sofisticada para o álbum. Produzido pelo guitarrista Jade Puget, o disco reforça como o AFI é uma banda versátil, criativa e inquieta, que consegue transitar com segurança por diferentes gêneros, indo do hardcore ao pós-punk. Mais um trabalho interessante, diferenciado e refinado de uma banda que sempre surpreende positivamente.

Scowl Are We All Angels

Are We All Angels consagra o Scowl como um dos nomes mais interessantes e promissores da atualidade. Em seu segundo álbum, a banda expande sua sonoridade, incorporando novas sonoridades ao seu hardcore, criando uma sonoridade única e cheia de personalidade. Abraçando o pop, o grunge e até mesmo o rock alternativo, o Scowl abre novas possibilidades para sua sonoridade. Usando todos esses elementos com sabedoria, o disco não soa confuso ou forçado, mas sim orgânico e viciante. Are We All Angels merece toda a atenção e reconhecimento.

A Day to RememberBig Ole Album Vol. 1

Depois de lançar o irregular You’re Welcome, disco que dividiu a opinião dos fãs, principalmente por sua abordagem mais pop, o ADTR se reencontra em Big Ole Album Vol.1. Trazendo de volta o equilíbrio entre pop-punk e metalcore que os consagrou, o trabalho entrega faixas marcantes como “Miracle” e “Make It Make Sense”. Não se deixe enganar pela capa de qualidade duvidosa, o conteúdo do disco realmente vale a pena.

Karen Jonz GUIZMO

Em GUIZMO, Karen Jonz mostra como seu trabalho vem amadurecendo a cada lançamento. É um álbum pessoal e extremamente agradável de se ouvir. A artista coloca suas influências dos anos 90, mas também traz referências contemporâneas. Além de ser um ótimo trabalho, GUIZMO é sincero e abre espaço para muitas reflexões, principalmente sobre recomeçar e seguir em frente. GUIZMO é uma obra que tem muito a oferecer, seja na qualidade musical, seja no conteúdo de suas letras. Um disco completo e que merece muita atenção.

De Carne e FlorEm Teus Olhos Vejo Fendas

O álbum de estreia do De Carne e Flor é um verdadeiro caldeirão de emoções. Agressivo, intenso e belo, Em Teus Olhos Vejo Fendas mostra uma banda segura de sua sonoridade e influências. Abordando temáticas pessoais em suas letras, o grupo consegue transmitir em sua sonoridade o peso de suas emoções. O disco é rico em vários aspectos, buscando referências em diferentes vertentes, como o post-hardcore, screamo e blackgaze. Faixas como “Sinos” mostram a beleza que vem da combinação dos vocais caóticos com o instrumental com passagens melódicas. Um dos lançamentos mais relevantes do cenário nacional.

MorcegulaCaravana dos Desajustados

O duo formado por Rebeca Li e Badke se mostra seguro de sua sonoridade e identidade em Caravana dos Desajustados. O segundo trabalho do duo é divertido e original. Com seu “rock ‘n’ roll trevoso”, como eles mesmos gostam de classificar, o Morcegula explora temáticas de terror, misturando elementos de rock de garagem com o espírito punk. Influenciados por nomes como The Cramps, a banda consegue criar um universo próprio, misturando seu som com temáticas de horror e uma energia pulsante. Caravana dos Desajustados é garantia de diversão. Um disco viciante e que mostra a criatividade e identidade de um duo que certamente vai deixar sua marca no cenário nacional com seu rock trevoso.

Bella e o Olmo da Bruxa Afeto e Outros Esportes de Contato 

Cinco anos depois do seu disco de estreia, a banda de Porto Alegre chega ao seu segundo álbum com algumas mudanças. Pedro, que era baterista na formação anterior, agora é o vocalista principal da banda que, nesse meio tempo, teve também a adição de Ricardo De Carli (o Hik), que além de baterista assina a produção do novo disco. Com a maturidade que apenas cinco anos de estrada podem adicionar, o quarteto conseguiu emprestar para o álbum toda a visceralidade que se tornou sinônimo das apresentações ao vivo da banda.

Quem é você, Alice?nem tudo é sobre amor 

Pra além do refino acima da média, nem tudo é sobre amor marca o recomeço do (agora) trio gaúcho. Com uma nova formação, novos direcionamentos de composição e uma musicalidade diferente do que nos acostumamos a ver, a banda mostra para toda a cena que os elementos que fizeram da QEVA um dos maiores destaques da cena independente em 2024 seguem mais presentes do que nunca. 

Arm’s Length There’s A Whole World Out There 

There’s A Whole World Out There crava o lugar do Arm’s Length como uma das mais completas bandas emo contemporâneas. O segundo disco do grupo consegue ao mesmo tempo apresentar as características assinatura da banda, seguindo algumas “receitas” do midwest-emo, enquanto mescla elementos novos e surpreendentes que destacam todo o repertório técnico dos músicos. Esses elementos, combinados com a habilidosa capacidade de composição de Allen Steinberg fazem deste um dos grandes discos do ano.

Hayley Williams Ego Death At A Bachelorette Party 

Sem músicas novas desde 2023, os fãs de Paramore tiveram um motivo pra sorrir em 2025. O segundo disco da carreira solo de Hayley Williams, mesmo lançado sem uma grande campanha, fez muito barulho. Com composições íntimas e uma produção de altíssimo nível, Hayley fez com que todo ouvinte se sentisse um amigo próximo. O disco soa pessoal e transporta quem ouve pra dentro da cabeça da compositora sem qualquer filtro ou edição. Quem ouviu o disco certamente passou por cada um dos sentimentos exprimidos nas canções. Sofremos, choramos e sentimos de mãos dadas com Hayley Williams

Twenty One PilotsBreach 

O capítulo final da saga de Clancy, Torchbearer, Banditos e os Bispos de Dema. Breach veio com a tarefa de amarrar as pontas que ficaram soltas no final de Clancy e finalizar com chave de ouro a história que vinha sendo contada desde 2015 com o lançamento de Blurryface.

Breach, é como se fosse um apanhado de fases do Twenty One Pilots. Se em álbuns como Scaled and Icy tínhamos uma pegada mais indie e em Clancy vimos até mesmo certos flertes com o Pop Punk, em Breach ficou mais que notável que a criatividade da dupla não tem limites. Faixas que facilmente poderiam compor a trilha sonora de uma batalha épica ou até mesmo um momento íntimo e introspectivo são encontradas neste trabalho.

A história de Clancy foi concluída com sucesso.

Fleshwater 2000: In Search Of The Endless Sky

Fleshwater conseguiu encapsular um sentimento único com este trabalho: a capacidade de fazer o ouvinte viajar no tempo com um som atmosférico e ao mesmo tempo lotado de reverbs. A mistura do shoegaze com influências do hardcore, punk e até mesmo uma pitada de dreampop é algo que o grupo fez sem medo e construiu um dos melhores lançamentos do ano. 

Super SometimesFrom Then & Now

O Pop Punk é como um vilão de anime shounen que diz a frase “Esta não é a minha forma final”. O Super Sometimes é uma das bandas que deu uma lufada de ar fresco para o gênero. O seu disco de estreia From Then & Now é a prova de que a tão falada nova geração é capaz sim de fazer boa música.

BAD LUV“NÓS”

Como um dos maiores destaques da cena no ano de 2025, Bad Luv renasce das cinzas e nos dá de presente sua melhor fase com o lançamento de seu primeiro álbum. O encontro de gerações com músicos que carregam uma bagagem potente rendeu um dos melhores discos do underground brasileiro, lançado pelo selo Rockambole.

NÓS traz força, emoção e autenticidade na medida certa. A voz impactante de Caio Weber, último integrante a completar a formação atual, conta a história da banda através de 8 faixas relacionáveis com o público. Por meio de questionamentos e incertezas que a banda vivia, os membros não só encontraram suas dores um nos outros, como também suas forças, deixando claro para eles mesmos que o Bad Luv ainda tinha muitas histórias para contar. E NÓS é a prova disso.

Molho NegroVIDAMORTECONTEÚDO

O sexto álbum de estúdio do Molho Negro tem como foco contestar as dores e as consequências de uma sociedade cronicamente on-line. VIDAMORTECONTEÚDO é o primeiro disco da banda lançado pela gravadora Deck e possui 12 faixas que soam como um convite a nos questionarmos sobre a nossa conectividade exagerada, as comparações inevitáveis que as redes sociais nos proporcionam e a realidade falsificada criada no mundo virtual, que é jogada na nossa cara 24h por dia.

Além das letras potentes, com diversos versos marcantes, o Molho Negro segue sendo fiel a si mesmo, mas se permite inovar quando faz sentido. Considerada uma banda eclética dentro do cenário musical, é notório que tudo é factível dentro das composições de João Lemos, desde que seja honesto com ele mesmo.

Dance Gavin Dance Pantheon

Dance Gavin Dance, além de carregar na bagagem o pioneirismo de todo um sub-gênero musical (o famoso swancore), também traz resiliência e força em suas duas décadas de história. Após anos conturbados e desafiadores, a banda faz o seu retorno com Pantheon: uma homenagem a tudo o que passaram e a solidificação de novos tempos.

O disco traz tudo aquilo que o verdadeiro fã do grupo gosta. Um som pesado, com riffs de guitarra brilhantes e referências de trabalhos anteriores escondidas na tracklist que só um verdadeiro entusiasta consegue identificar.

Ao mesmo tempo, apresenta ao público novas inspirações, novos elementos e uma nova formação. Andrew Wells, agora oficialmente introduzido como vocal principal, harmoniza com os vocais gritados de Jon Mess de maneira surpreendente e intensa – um dos maiores destaques deste trabalho e uma qualidade nova e muito bem-vinda para a banda, que antes trazia um contraste muito maior entre as duas vozes. A exploração dos vocais de Jon é outro ponto notável: entonações diferentes, mais fluidez e um toque novo para aquele grito que conhecemos e amamos.

Pantheon tira inspiração da própria discografia da banda, sendo um verdadeiro sucessor à altura do Mothership, mas mostra um novo lado do Dance Gavin Dance que deixa todos os fãs curiosos e ansiosos para tudo o que está por vir. It’s a new era, make some room!

Nevertel – Start Again

O electronicore uniu-se ao nu-metal e rendeu um dos trabalhos mais interessantes de 2025. Start Again, do Nevertel, chegou em meados do segundo semestre do ano e foi o suficiente para chamar a atenção do público e do algoritmo. Apesar de ter sido antecipado pelos (excelentes) singles “Sacrifice”, “Starting Over” e “Losing Faith”, o conjunto da obra é o que realmente trouxe impacto aos ouvidos. A grata surpresa do disco fica para a explosiva “Break the Silence”, com participação da banda Sleep Theory, outro nome que destacou-se no gênero ao longo do ano. 

E, falando neles…

Sleep Theory – Afterglow

O Sleep Theory está cada vez mais em evidência justamente por saber usar os algoritmos do Instagram e TikTok ao seu favor — mas isso não é o único mérito da banda. Com mais de 2 milhões de ouvintes mensais no Spotify até o momento dessa publicação, o grupo de Memphis, Tennessee, é a prova viva de que a mistura de várias referências pode acabar em algo brilhante. Pop, eletrônico, nu-metal e R&B são combinados duma forma que simplesmente funciona, resultando em faixas explosivas e com refrões que ficam na cabeça, como “Static”, “Gravity”, “Numb” e, é claro, o excelente disco que tornou-se Afterglow. O desafio mesmo acaba sendo escolher qual das músicas é a melhor.

ana paia – Continuar

O interior de São Paulo já mostrou ser berço de diversas obras incríveis e joias raras do rock nacional, e Continuar, primeiro álbum de estúdio da ana paia é apenas mais uma prova disso. Trabalhado na estética desde o primeiro segundo, o trabalho foi antecipado pelos singles “Pra Onde Eu Não Sei” e “5h da Manhã”, que já previam a beleza e teor emocional do produto final.

O disco, lançado na segunda quinzena de outubro, transborda vulnerabilidade e sentimentalismo em sua forma mais bonita. É o exemplo perfeito de que é possível criar coisas lindas na simplicidade, apenas deixando os pensamentos, emoções e sentimentos aflorarem e falarem por si só. Continuar é aquele trabalho para nos lembrar que ainda somos humanos, fugir do automático e olhar para dentro.

Magnolia Park – VAMP

Não é segredo que, a fim de alimentar o algoritmo, é bom possuir uma constância de lançamentos. No entanto, essa realidade acaba sendo inalcançável para a maioria dos artistas devido a várias variantes (orçamento, tempo, energia, entre outros). Essa constância também pode ser um tiro no pé para algumas bandas, perdendo-se da sua essência e ficando refém de um ritmo de produção que foge do criativo.

Felizmente, não é o caso do Magnolia Park. O grupo, formado em Orlando, na Flórida, completou seis anos de atividade em 2025 e já possui cinco trabalhos de estúdio lançados, mostrando que a mente criativa de Joshua Roberts é uma máquina que trabalha a todo vapor e sempre surpreende a fanbase com sua versatilidade e melodias cativantes — e VAMP é mais uma prova que sustenta essas características.

Sem desprender-se da temática de Halloween, em seu mais novo projeto, a banda explora os vocais limpos e berros do vocalista e não tem medo de ir do pop ao pesado, das melodias aos guturais. Tudo isso sendo feito com maestria e do jeito mais Magnolia Park possível: com refrões cativantes, clipes bem elaborados e uma estética pensada do início ao fim.

Ben Quad – Wisher

Já falamos anteriormente como o midwest emo às vezes encontra no pop punk um respiro criativo, como foi com o Mom Jeans. em Sweet Tooth: uma banda enraizada na introspecção, melodia e vulnerabilidade cotidiana, que em 2022 deu um passo além dos clean tones, riffs quebrados e estruturas nada óbvias. Apesar de não ser uma regra, é um movimento natural, e em 2025 vimos acontecer o mesmo com Ben Quad no álbum Wisher.

Foram dois meses de espaço entre o primeiro single “It’s Just a Title” (muito bom, por sinal) e o segundo álbum da banda de Oklahoma City, que sucedeu o estreante I’m Scared That’s All There Is, três(!) anos depois. Com quase 200 mil ouvintes mensais, é válido dizer que o quarteto encontrou nesse meio tempo sua base de fãs ao ponto de já realizar um movimento ousado e criativo desses para o segundo disco de estúdio. Wisher chegou em novembro, com 10 faixas ao todo e transbordando sua característica emoção super sincera, porém com uma confiança sonora perceptível em arranjos mais ambiciosos e variados. Algo que se afasta do emo tradicional, mas sem se desprender totalmente, o que permite o Ben Quad soar fresco e esteticamente amplo, cavando ainda mais seu nome como um dos mais importantes do cenário emo contemporâneo.

TRSH – String Theory

Por outro lado, ainda há bandas que estão completamente mergulhadas na essência do midwest emo. O TRSH trouxe para 2025 o seu caos emocional puro, já visto anteriormente em seus dois primeiros discos lançados em 2022. E, embora Kiss Me e Soporific tenham posicionado a banda como um nome muito interessante do gênero, foi em Spring Theory que o quarteto do Missouri sai do lugar de “uma banda emo independente” para algo que, sim, é válido prestar atenção.

O terceiro álbum do TRSH traz um equilíbrio perfeito de vocais limpos e gritados, intercalados faixa a faixa e trazendo o aspecto cru e visceral do gênero. Enquanto Kiss Me (2022) esbarrava no amadorismo e no aspecto caseiro de produção, nesse trabalho é possível ver riffs e a execução em geral comprometidos em capturar tanto a urgência quanto a vulnerabilidade emocional, sem soar genérico.

Uma das características mais dignas de serem elogiadas em todo o trabalho, no entanto, são as letras das músicas, apegadas no teor emocional e vulnerável já tradicional do midwest emo, mas com um jeito que apenas TRSH sabe fazer — com um importante destaque a “Dusty” e “Hyperpop Killed My Dog”.

Hot Mulligan – The Sound a Body Makes When It’s Still

Depois de uma passagem pelo Brasil que deixou os fãs querendo por mais (e que, definitivamente, marcou mais uma data na história do Hangar 110), o Hot Mulligan liberou o sucessor de Why Would I Watch (2023) no fim de agosto. The Sound a Body Makes When It’s Still é mais um capítulo da evolução sonora e emocional da banda, que agora já ganha destaques em diversos festivais ao redor do mundo, mas sem desapegar do seu humor duvidoso e questionável, aspecto esse que anda lado a lado com o engajamento dos fãs.

Entre os pontos altos do disco, está o feat “Island of the Sun” com Cory Castro do Free Throw e “Monica Lewinskibidi” mas, de um modo geral, o quinto álbum do Hot Mulligan traz mais uma vez temáticas pesadas como ansiedade, perdas e crescimentos existenciais com uma sinceridade crua e introspectiva — já característica da banda, sim, mas tudo construído dentro de um clima imersivo e emocionalmente consistente, quebrando um pouco da densidade lírica.

Bloom – The Light We Chase

Ao ponto de desbancar qualquer ranking, The Light We Chase, do Bloom, é o tipo de disco que “chega do nada”, e é justamente na imprevisibilidade e a falta de expectativa que o trabalho se mostra um espetáculo. Digno para fãs de música triste, versos melancólicos e lírica visceral, são onze faixas que passeiam por temáticas pesadas, densas e cheias de questionamentos. A sequência de faixas é tão bem escolhida a fim de trazer uma sensação de “olhar para trás”, refletir sobre escolhas passadas e suas consequências no presente.

Outro ponto alto do trabalho é a escolha certeira de feats, tanto em “Tongue Tied” com Mikaila Delgado (Yours Truly), cuja voz traz um contraste perfeito para uma das músicas mais emocionantes do disco e “Keep You”, com Patrick Miranda do Movements, cuja presença já traz uma emoção e intensidade característica.

De um modo geral, The Light We Chase é o tipo de trabalho feito para trazer Bloom para outro patamar de reconhecimento público. É o equilíbrio perfeito entre pesado e melódico, com letras que atingem emocionalmente quem já passou por perdas ou reflexões pessoais profundas.

Nightly – songs to drive to

Para uma banda que lançou dois álbuns em 2025 (o segundo de surpresa e todo trabalhado na temática de Halloween), é difícil escolher apenas um trabalho para destacar. No entanto, songs to drive to, lançado em março, vale ser ressaltado por muito pouco acima de THE VOID.

Aqui, mais uma vez o Nightly se mostra ser uma banda consistente dentro do conceito escolhido para cada uma de suas eras. Desde o segundo álbum da carreira, wear your heart out (2023), o trio já havia desapegado um pouco da sonoridade indie pop que o acompanha desde seus primórdios, mas em 2025, parece que foi necessário voltar um pouco às origens para uma abordagem sonora mais alternativa, moderna e, é claro, indie. 

songs to drive to trabalha bem a atmosfera de ser um conjunto de faixas para serem ouvidas na estrada, com as janelas abertas. Aqui temos as tradicionais letras românticas de Jonathan Capeci somadas a uma sonoridade ligada à essência do grupo, buscando autenticidade e conexão emocional, em vez de seguir tendências sonoras.

Sleep Token – Even in Arcadia

Quando se lança um disco excelente, é difícil entregar um sucessor à altura. A expectativa e todos os parâmetros sobem, o que faz com que a recepção polarizada seja apenas inevitável. Não apenas TURNSTILE sofreu isso com NEVER ENOUGH esse ano, mas Sleep Token também, após o lançamento do excelente Take Me Back to Eden (2023).

Em Even in Arcadia, o grupo chega com ambição e uma proposta de diversidade sonora. A banda já é conhecida por misturar vários gêneros musicais, com referências que vão do pop ao R&B, do eletrônico ao metal, criando um som único que é difícil categorizar. Aqui, um dos principais destaques é justamente a abordagem emocional e narrativas complexas ao longo de todas as faixas. 

menores atos – FIM DO MUNDO

“Fim do mundo” é uma expressão que significa um bocado de coisas: um lugar muito longe, um tempo longínquo, a extinção da humanidade, uma situação em que você não vê mais saída, e é claro, um término de relacionamento.

Essa multiplicidade também é uma forma de ouvir esse trabalho do menores atos, que não lançava um disco desde Lapso. Com os ouvidos um pouquinho atentos, ele pode ser um exercício imaginário e metalinguístico sobre todo o processo de criação, em que a própria banda destroi a si mesma, e de certa forma, se reconstroi diante do público. 

queda-livre – Quase

É no espaço entre o que se sonha e o que se alcança que nasce Quase, o primeiro álbum da queda-livre, banda que vem construindo seu nome na cena independente com canções que equilibram intensidade, sinceridade e arranjos que transbordam juventude.

As faixas não buscam respostas definitivas, mas oferecem abrigo na identificação, como se cada verso, cada refrão, fosse uma mão estendida a quem vive os mesmos impasses da juventude contemporânea.

Alívio Cômico – Alívio Cômico

No seu álbum de estreia, a banda de Americana Alívio Cômico traz sua sonoridade indie e synth-pop para um conceito que vai além: com músicas bem trabalhadas, o disco reflete a ideia de os integrantes serem “sobreviventes”, com um tom que equilibra o cômico e o reflexivo, como sugerido pelo single “Terapia”, e que transborda para as demais faixas repleto de cuidado e carinho.

Personas – Qualia

Um dos principais destaques do ano, Qualia é um disco que é descrito pela Personas como “13 canções que são 13 recortes das nossas próprias vidas”. Com o conceito trabalhado do início ao fim, aqui a banda de São José dos Campos traz sentimentos de uma forma mais madura, a fim de explorar outras emoções que ainda não tinham sido expostas completamente. É um disco com profundidade, participações mais do que especiais e que marca um grande passo tanto na carr

Paralelo ao Fim – A Nostalgia me Abraçou

Mergulhado numa cápsula do tempo, A Nostalgia me Abraçou celebra a amizade e as boas memórias. Esse primeiro álbum do duo campineiro paralelo ao fim, produzido e gravado no Family Mob, traz a amizade de décadas de Guilherme Medeiros e Vinicius Almeida, com a afinidade musical sendo essencial na hora de revisitar antigas composições, relembrar ideias inacabadas e, principalmente, lembrar de bons momentos vividos lado a lado desde a infância. O resultado é um trabalho coeso, bonito e repleto de emoção.

visitas póstumas – Tarde

Um conjunto das maiores características do emo, como o uso intenso de clean tone, tapping, riffs quebrados e spoken word com sintetizadores e samples: Tarde é um dos discos que chegou quase no fim de 2025, mas que não deixou de ser uma grata surpresa do rock gaúcho. A visitas póstumas já era um nome a se ficar de olho desde Futebol de Salão (2024), mas com o álbum de estreia, lançado em novembro, mostra que não acompanhar o quarteto é uma escolha a ser reconsiderada seriamente, afinal de contas, 2026 tem tudo para ser dominado Billy & Mandy, mudanças que nunca fizemos e Stuart Little.