O que sobra depois do hype? O “efeito Rock in Rio” para artistas emergentes

O que acontece com um artista depois do Rock in Rio? Conversamos com quem já viveu essa experiência e estreantes de 2026 para entender o que realmente permanece depois do maior festival do país.

Fotos: Tadeu Goulart e Dayane Mello / Downstage

Tocar no maior festival do país pode abrir portas, ampliar públicos e mudar a forma como uma banda enxerga a própria carreira. Mas, quando os palcos são desmontados e o nome deixa de aparecer nos anúncios, o que realmente permanece? Artistas que já passaram pelo Rock in Rio e nomes que estreiam em 2026 relatam o que vivenciaram antes e depois do tocar no maior festival de música do mundo.

Existe um momento, na trajetória de quase todo artista, em que o sonho deixa de ser abstrato e ganha endereço. Para algumas bandas, esse endereço é a Cidade do Rock. O festival que é a cara do Rio de Janeiro e acontece na Cidade Maravilhosa há mais de 40 anos retornará, em setembro, mais uma vez com duas semanas intensas para os fãs de música, mas principalmente para os artistas que irão se apresentar pela primeira vez em um dos palcos mais sonhados do planeta.

O anúncio de uma participação no Rock in Rio costuma ser tratado como uma espécie de linha de chegada. O nome aparece nas redes sociais, os amigos comemoram, os fãs compartilham, veículos publicam e os números sobem. É uma avalanche de sensações e metas a serem batidas para dar valor ao momento especial. Para quem acompanha a cena independente, existe ainda a sensação particular e inusitada de ver uma banda que nasceu em pequenos palcos, casas de show e circuitos underground ocupando uma estrutura que recebe alguns dos maiores artistas do mundo a cada dois anos. Queen (1985), Guns N’ Roses (1991), AC/DC (1985), Metallica, Foo Fighters, Iron Maiden, Stevie Wonder (2011), Green Day (2022) e até mesmo a diva Beyoncé (2013) já desembarcaram no Rio de Janeiro para se aclamados por dezenas de milhares de pessoas enquanto todo o Brasil acompanhava pela televisão numa espécie de catarse coletiva que perdura ao longo dos anos. 

Palcos que abraçam a música alternativa e emergente

O Rock in Rio tem investido cada vez mais em música. Neste ano, a edição contará com 190 shows e mais de 1.300 artistas, incluindo 45 atrações internacionais. A Fundação Getulio Vargas (FGV) estima um impacto econômico de R$ 3,36 bilhões e a geração de 33,9 mil postos de trabalho. Dentre essas centenas de almas criativas, muitas irão se apresentar em palcos como o Supernova e Favela, que já se consolidaram como espaços que abraçam artistas emergentes e em ascensão.

O Palco Supernova é relativamente recente na história do Rock in Rio mas, em apenas três edições no Brasil (2019, 2022 e 2024), já virou uma espécie de “laboratório” para artistas que ainda estão construindo seu espaço no mercado e outros que já são referência na indústria. Supercombo, Surra, Crypta, Jovem Dionísio, The Monic, Skrota, Dead Fish e Black Pantera foram algumas das atrações que encontraram nesse espaço uma oportunidade de estar no festival carioca. 

Palco Supernova em 2024 – Foto: Tadeu Goulart / Downstage

Já o Espaço Favela, que também contabiliza quatro edições, nasceu com a proposta de levar para dentro da Cidade do Rock uma produção cultural que já existia nas periferias do Rio e do Brasil. Embora tenha se consolidado com nomes do funk, rap e trap, como Xamã, Delacruz, Heavy Baile, MC Carol, Tati Quebra Barraco, Jonathan Ferr e Cidinho & Doca, o palco também abriu espaço para o rock produzido longe dos bairros privilegiados. Gangrena Gasosa, Affront, Revengin e Drenna estão entre as bandas que já passaram por sua programação.

Mas existe uma pergunta menos confortável depois da festa: o que acontece quando o festival acaba?

O Rock in Rio pode ser uma vitrine, um selo de credibilidade, uma oportunidade de networking, um impulso para as plataformas digitais ou simplesmente uma experiência inesquecível. Pode ser tudo isso ao mesmo tempo. Mas não necessariamente transforma uma banda em um fenômeno da noite para o dia.

As histórias de artistas que já passaram pelo festival mostram justamente isso. E, olhando para quem está prestes a estrear em 2026, uma coisa fica evidente: o chamado “efeito Rock in Rio” não parece funcionar como um passe automático para uma carreira maior. Ele funciona mais como uma aceleração. O que acontece depois depende do que cada artista consegue fazer com a velocidade que recebeu.

Radioativa: a estrada continua depois do Rock in Rio

Ana Marques, da Radioativa, conhece bem essa diferença entre o momento de viver o Rock in Rio e o que vem depois. A banda chegou ao festival em 2022 depois de vencer uma seletiva que reuniu grupos de diferentes partes do país. Para participar, precisou produzir uma música inédita praticamente do zero: composição, gravação e produção aconteceram em um único fim de semana. De “Como As Coisas São” nasceu um videoclipe dos sonhos, com imagens dos dias inesquecíveis da banda. A apresentação conquistada pelos cariocas da Zona Oeste aconteceu no palco Gerdau, uma das marcas presentes no festival, no último dia daquela edição.

A experiência foi gigantesca para a banda, que já vinha de uma jornada longa de mais de uma década, mas a Radioativa não esperava que um único show resolvesse sua trajetória. “Colocar Rock in Rio no currículo realmente abre portas”, resume Ana. Depois da apresentação, a Radioativa passou a tocar em festivais fora de sua cidade, foi selecionada em editais públicos, conseguiu melhorar a rentabilidade dos shows e ampliou a quantidade de entrevistas e oportunidades de divulgação.

“Acho que o impacto foi exatamente como imaginávamos. Nós estamos na estrada há tempo o bastante pra entender como funciona o mercado da música, isso inclui ser pé no chão com as oportunidades que aparecem, sem deixar de aproveitá-las, claro! Tocar no Rock in Rio, assim como em cada outro show que fizemos, contribuiu para crescermos como profissionais de forma geral. Dá pra transformar isso em algo bom, se você souber fidelizar os fãs, e foi isso que tentamos fazer lançando música, produzindo conteúdo e fazendo mais shows depois do festival. O principal conselho é: divirtam-se! Trabalhem duro em tudo que for relacionado à produção até o dia do festival, e no dia apenas sejam o que vocês nasceram pra ser: artistas! Toquem o som de vocês com a verdade de vocês, e aproveitem essa conquista, porque esse sentimento de dever cumprido, de realização de um sonho, é a única coisa que realmente fica pra sempre!”, destaca a vocalista. 

Radioativa no Rock in Rio 2022 – Foto: Acervo / Divulgação

Sebastián: um marco na carreira

Sebastián Piracés, que já passou quatro vezes pelo Rock in Rio, sendo duas no Brasil com a Francisco, el Hombre, uma em Portugal e uma em sua carreira solo como Sebastianismo,  enxerga o festival por outro ângulo. Para ele, a dimensão do evento faz com que a passagem pelo palco se torne uma referência recorrente na própria apresentação de um currículo artístico. Quando perguntado sobre festivais dos quais já participou, o Rock in Rio aparece naturalmente entre os primeiros exemplos citados.

“O Rock in Rio é um dos festivais mais antigos e importantes não apenas do Brasil mas do mundo. Já recebeu shows muito icônicos de bandas nacionais como internacionais. Então, rodando pelo mundo, dá para perceber a relevância mundial que o RiR tem sobre essa cultura de festivais. Então quando você é convidado para participar de um festival como esse, não tem como você não ser impactado. É um convite que se recebe com muita emoção, muita expectativa, é um marco de transformação na carreira do músico, na carreira da banda”, disse o artista. 

Black Pantera: mais visibilidade para a música de protesto 

O Black Pantera, uma das bandas mais importantes da nova geração do rock brasileiro, representa uma terceira possibilidade nesse cenário: a transformação da visibilidade em plataforma. O baixista Chaene da Gama falou sobre a honra que é ser uma referência para outras pessoas e que para protestar abertamente é preciso ter coragem. Além disso, ele destaca que a arte imprime uma “fotografia do tempo em que vivemos” pois os discos do grupo têm sido “recortes, não somente das nossas vivências, mas do momento que a gente tem vivido”.

Black Pantera – Foto: Lukas Piruka / Downstage

A primeira aparição do Black Pantera no Rock in Rio foi em 2022, no palco Sunset, após o período mais crítico da pandemia de Covid-19. Para Chaene, aquele momento carregava um simbolismo especial: era um dos primeiros grandes sinais de retomada dos shows em uma escala massiva. E, diferentemente de uma apresentação em um circuito restrito, havia algo que multiplicava o alcance: a televisão. Milhões de pessoas poderiam assistir ao show sem sequer estar na Cidade do Rock.

O resultado apareceu em diferentes frentes, segundo Chaene: redes sociais, plataformas de streaming e novos shows. O Rock in Rio foi, para o Black Pantera, uma verdadeira virada de chave. Mas talvez o mais interessante seja que a banda não enxerga essa visibilidade apenas como uma conquista individual. Existe uma preocupação em fazer com que aquele espaço se torne menos excepcional.

“Tem aí bandas femininas, bandas feministas, bandas LGBTs, bandas indígenas que trazem outras perspectivas e suas vivências para dentro do rolê. Eu acho que, de certa forma, o nosso som contribuiu. “O” Black Pantera, não o Chaene, Charles, Rodrigo, apesar de a gente ser parte, mas o Black Pantera é muito maior que nós. É importante a gente poder falar de outras bandas, ouvir, tocar no interior do país, conseguir trazer outras bandas para poder abrir ou participar dos eventos. Para a gente, quando começamos, não havia tanto a representatividade. Era muito distante. Acho que foi essa a ideia do Charles, que é o fundador da banda. Ele falou “ah, cara, eu quero uma banda preta” e ele insistiu muito. Hoje, a gente está aqui e pensa que várias pessoas começaram. Como, por exemplo, em São Paulo, a gente tem o Blackout, que é uma comunidade de pessoas alternativas que se encontraram no show do Black Pantera e eles criaram um grupo, um coletivo e ficamos felizes de fazer parte disso”, lembra o Chaene.

Nesse sentido, o “efeito Rock in Rio” ultrapassa a própria banda. O palco deixa de ser apenas uma vitrine para o artista que está ali e passa a funcionar como uma espécie de espelho para quem está assistindo. Em 2024, o grupo se apresentou no palco Supernova. E, em 2026, o Black Pantera tocará no palco Sunset novamente convidando a banda feminina Nervosa, no dia 5 de setembro. 

Supercombo: celebração de 20 anos de carreira 

Existe ainda outra maneira de medir o efeito de um festival pelo momento em que uma banda decide olhar para si mesma. O Supercombo já tem aproximadamente duas décadas de carreira. Ao longo desse período, passou pelo rock, o indie e absorveu elementos de música eletrônica, construindo uma trajetória marcada por lançamentos constantes e por uma capacidade de circular por diferentes públicos e cenas. Voltar ao Rock in Rio em 2026, portanto, não representa simplesmente repetir uma experiência de 2022.

Supercombo – Foto: Tadeu Goulart / Downstage

Para Leo Ramos, vocalista, tocar novamente no festival, agora apresentando um disco novo, “Caranguejo”,  trata-se de uma espécie de consagração e, ao mesmo tempo, uma nova era da banda.

“A gente tem uma expectativa muito grande para voltar. Eu arrisco dizer que nunca vai ter um Rock in Rio para tocar em que a gente não vai ter a expectativa lá em cima. O fato de a gente estar tocando no Rock in Rio depois de 20 anos de carreira, com um disco novo é uma parada que marca uma nova era para a gente, com o que a gente está fazendo hoje em dia, com as pessoas que somos hoje em dia e… Enfim, só traz um carinho muito grande na alma para a gente.”

É uma perspectiva interessante porque desmonta a ideia de que o Rock in Rio precisa necessariamente ser um trampolim. Para alguns artistas, pode ser uma confirmação de que uma trajetória longa continua relevante. A banda também não parece interessada em construir sua relação com o público a partir de uma fórmula de sucesso. Leo afirma que o Supercombo nunca foi uma banda preocupada em fazer músicas simplesmente para alcançar sucesso. Talvez essa seja uma das maneiras mais eficientes de sobreviver ao hype: não tentar reproduzi-lo.

“Sempre fizemos o que a gente acreditou, que gostamos. A gente sempre é uma banda focada no presente, então é muito massa ver essa relação com o público, das pessoas se identificando. Nos sentimos muito abraçados e tentamos retribuir esse carinho nos shows e, digitalmente, também com as pessoas”

LVCAS: um sonho distante que virou ponto de virada

Conhecido como Lucas Inutilismo, LVCAS construiu sua primeira grande audiência no YouTube, onde o humor dividia espaço com a música. As retrospectivas “ANO em uma música”, que reuniam sucessos de cada período em grandes medleys, ajudaram a aproximá-lo ainda mais do universo musical. Depois, veio a turnê Minha Playlist de Funk, na qual transformava músicas populares em versões de rock e passou por diversas cidades do país.

LVCAS – Foto: Tadeu Goulart / Downstage

A transição definitiva para uma carreira autoral começou com “Odisseia”, primeiro single de LVCAS, que ultrapassou 3 milhões de streams no Spotify. Em 2024, lançou o álbum “Humanamente” e, no ano seguinte, o EP “abatido mas não derrotado (AMND)”, aprofundando uma sonoridade que mistura metalcore, nu metal, trap e elementos eletrônicos. Em 2026, o artista leva esse projeto aos palcos e chega no dia 5 de setembro ao Rock in Rio, no Supernova, como um dos nomes da nova geração do rock brasileiro.

Para LVCAS, o convite para o Rock in Rio 2026 chegou como algo difícil de dimensionar. A participação no festival representa um momento simbólico dentro de uma carreira musical ainda recente. O artista já havia tocado em seu primeiro festival, em Brasília, mas o Rock in Rio foi o primeiro grande festival a ser oficialmente fechado em sua trajetória ainda em abril, segundo ele.

“Um dos dias mais importantes da minha vida pessoal e da minha carreira. Muitos ciclos se fechando, muito de olhar para trás e falar aquele papo bem clichê de que as coisas valem a pena, têm sentido, se você remar numa direção a tendência de que as coisas percorrem esse caminho para chegar no destino é bem maior. A gente vai ter 50 minutos para entregar o show das nossas vidas, com muita concentração. Tentar equilibrar essas coisas que são primordiais para fazer um show legal, um show memorável. E não tem como não falar sobre níveis de ansiedade que estão obviamente no mais alto nível, no talo. Não acho que isso vai me credenciar para algo, mas considero que pode ser uma porta, uma vitrine.”

Os primeiros reflexos já aparecem também nos números. LVCAS percebe aumento nos plays e afirma que os ouvintes continuam crescendo. Ele encara o momento como parte de uma trajetória que ainda está em construção. O próximo passo, segundo ele, envolve justamente encontrar uma identidade sonora mais madura e coesa, sem tentar acelerar artificialmente esse processo.

O Rock in Rio, nesse sentido, não é apresentado como garantia de um salto, mas como uma porta. E, para uma carreira que ainda está descobrindo sua identidade, talvez a possibilidade de atravessá-la seja justamente o que torna esse momento tão significativo.

Quantum: o rock no Espaço Favela

A Quantum, banda formada na Baixada Fluminense em 2015, chega ao Espaço Favela 2026 com uma situação ainda mais particular. O grupo se destacou na cena underground com uma sonoridade que combina metal moderno, djent, progressivo, groove e a forte marca dos vocais femininos de Lo Ferrera. A banda não está simplesmente preparando um show para o Rock in Rio. Está preparando uma nova versão de si mesma.

Quantum – Foto: Tadeu Goulart / Downstage

Segundo a própria Quantum, esse é o momento de reformular o grupo e chegar ao festival com outra pegada. A apresentação no Favela, fruto de uma curadoria cultural que buscou artistas provenientes de comunidades da região, será utilizada justamente como uma espécie de amostra dessa nova fase.

“Por incrível que pareça, o Rock in Rio é o segundo maior palco que vamos tocar, já que o primeiro foi o Circo Voador. Estamos trazendo músicas novas e uma nova formação que vai mudar completamente a musicalidade da Quantum, trazer mais da nossa personalidade e identidade. Nossa principal estratégia foi fechar a loja para reformar. Vai ser um sonho tocar no Rock in Rio, que não acreditamos vai nos levar para o estrelato da nossa carreira, mas vamos usar essa oportunidade para continuar subindo, colocando nosso trabalho em vários lugares, com os pés no chão. Esse é um sonho coletivo que todos tínhamos. Estamos batalhando muito para estarmos à altura do evento”

O verdadeiro tamanho do “efeito Rock in Rio”

Olhando para todas essas histórias, fica difícil falar em um único “efeito Rock in Rio”.  Para a Radioativa, o festival virou currículo, portas abertas e novas oportunidades profissionais. Para Sebastian, tornou-se uma marca permanente dentro da própria trajetória Para o Black Pantera, foi uma virada de chave com alcance em redes, streaming, shows e, principalmente, representatividade. Para o Supercombo, voltar ao festival depois de duas décadas de carreira representa uma espécie de consagração e o início de uma nova fase. Para LVCAS, o festival já começou a produzir efeitos antes mesmo do show, aumentando a atenção, aproximando públicos e criando uma expectativa que ele pretende transformar em uma apresentação memorável. Para a Quantum, é a oportunidade de apresentar uma banda renovada e descobrir se o público está pronto para essa nova versão.

São experiências diferentes porque os artistas também chegam ao festival em momentos diferentes.

Mas, tocar no Rock in Rio muda uma carreira?

Pode mudar. O festival pode entregar uma vitrine gigantesca, mas não decide o que o artista fará diante dela. Pode colocar o nome de uma banda diante de milhões de pessoas, mas não pode obrigar ninguém a ouvir seu próximo disco. Pode gerar seguidores, plays, convites, contatos e contratos, mas não transforma automaticamente uma apresentação em carreira.

Existe, ainda, algo que nenhum algoritmo consegue medir. A sensação de ter conseguido. A autoestima que impulsiona o artista a continuar numa trajetória que raras vezes é tranquila, num mercado que está constantemente mudando e demandando ainda mais tanto na produção artística quanto na administração da carreira, divulgação e engajamento do público. 

Ana Marques resume isso de uma maneira que talvez seja mais adequada para definir o que permanece quando o hype passa. Para ela, o principal conselho às bandas independentes que chegam ao festival é trabalhar duro até o dia da apresentação, mas, quando chegar a hora, simplesmente ser artista. Aproveitar a conquista porque a sensação de realizar um sonho é aquilo que permanece.

É possível que o verdadeiro legado do Rock in Rio esteja justamente aí.

Não necessariamente no número de seguidores conquistados naquela semana.

Não necessariamente nos plays que aparecem no dia seguinte.

Não necessariamente no contrato que chega algumas semanas depois.

Mas na possibilidade de olhar para aquela noite e perceber que o lugar que parecia distante agora faz parte da própria história. Revisitar em edições posteriores, mesmo que fora dos palcos, assistindo da plateia, e se orgulhar de um dia ter estado ali. 

O hype passa e tudo muda. Mas, para uma banda independente, existe uma diferença brutal entre sonhar com a Cidade do Rock e poder dizer: “eu já toquei lá”. E talvez seja justamente essa memória, somada às portas abertas, aos contatos construídos, aos novos públicos e à coragem para sonhar um pouco maior, que determine o que sobra quando as luzes se apagam.