Do interior paulista para Interlagos: Jonabug no Lollapalooza 2026

Banda independente de Marília divide palco com Deftones e Turnstile em sua primeira participação em um festival de grande porte

Foto: Renato Lo

Marília é uma cidade do interior paulista com cerca de 240 mil habitantes. Para quem talvez não saiba onde fica o município: ele está no oeste do estado, a cerca de 450 quilômetros da capital. Marília também é o nome da vocalista da Jonabug, que em três anos de estrada foi convidada para participar de um dos maiores festivais do país. A banda, que transita entre shoegaze, indie rock e grunge está prestes a estrear no palco do Lollapalooza Brasil 2026.

O quarteto formado por Marília Jonas, Dennis Felipe, Samuel Berardo e Thales Leite, lançou seu álbum de estreia três tigres tristes em junho de 2025 e, poucos meses depois, recebeu o convite que mudaria a trajetória da banda.

Foto: Renato Lo

“O diretor do Lollapalooza mandou uma DM para a gente pelo Instagram pessoal dele. Na hora, eu não sabia quem era e fiquei meio sem entender. Foi muito estranho”, conta Marília. “Depois a gente entrou no perfil, ele explicou e tudo mais, passou o número dele. Eu achei bizarro ter o número do cara do Lollapalooza. Foi algo que partiu de fato da curadoria deles mesmo, a gente não tem contato nenhum. A gente é uma banda totalmente independente, não tem produtora, não tem selo, não tem nada. E eles vieram atrás, sabe? Foi bem inesperado.”

Dividindo o palco com as referências

A banda vai dividir o festival com artistas que são grandes referências para o grupo, como Deftones e Turnstile. “A gente vai tocar no mesmo dia que o Turnstile e eu tô muito feliz com isso”, comenta Marília. “A expectativa está muito alta. A gente está dando um passo muito, muito, muito grande, porque a gente nunca tocou em nenhum festival desse tamanho. O Lollapalooza é gigantesco. A gente nunca tocou em um palco que desse para caminhar, sabe?”

A vocalista relembra que, antes do convite, a banda já tinha uma conexão especial com essas referências. “A gente tocava Deftones e Turnstile no nosso set. A gente fazia uma intro com uma música do Deftones e tocava Turnstile. E hoje a gente está tocando no mesmo festival que eles. É muito louco, cara, é muito louco.”

Uma banda com três anos no maior festival do país

A Jonabug existe há apenas três anos e já está escalada para um dos maiores festivais de música do mundo. “A banda existe há dois anos, três anos. Literalmente. O nosso EP saiu em 2023”, pontua Marília. “E ter sido chamado para tocar no Lollapalooza… Eu esperava que fosse algo menor. Mas, porra, foi bizarro. Tem banda que vai tocar lá que está aí na caminhada há 10 anos. É foda do mesmo jeito, mas eu não esperava que fosse tão cedo assim. Mas eu também não vou reclamar de nada, eu acho isso muito foda.”

Para a vocalista, a expectativa vai além do show em si. “Não é só pelo show, mas também pelo rolê, por a gente viver isso com a equipe que vai com a gente. Vão ter nossos amigos lá também. E tem a questão de que vai ser uma forma de amadurecer profissionalmente na música, ter esse contato profissional com esse tipo de lugar vai ser bizarro.”

Representando a cena independente

Para Marília, a participação da Jonabug no Lollapalooza tem um significado que vai além da banda. “Eu penso muito nisso. Principalmente de ver outras bandas do mesmo porte que a gente tocando lá, como Varanda. É bem legal isso. Se eu visse alguma outra banda da cena ocupando esse espaço eu com certeza me sentiria super feliz e esperançosa. E eu acho que é isso. Já veio gente falar isso para mim, sobre ser possível chegar lá. Porque não é impossível, sabe? Eles estão a fim. Tem gente de olho na gente. O cara entrou em contato com a gente pelo Instagram, porra. A gente está fazendo um barulho e eu acho isso muito foda.”

Sobre essa sensação de pertencer a uma cena maior, Marília completa: “A gente está fazendo um barulho e as pessoas estão vendo isso. Não é só a nossa bolha ali. A gente está chamando atenção como um todo. E eu acho isso muito importante, principalmente para a galera mais nova. Quando eu tinha 15 anos, eu nem sonhava que era possível ter uma banda. Eu só tocava sozinha, completamente sozinha. E hoje eu vejo gente de 15, 16 anos colando em rolê, tendo banda, e eu acho isso incrível.”

Quando perguntada sobre o “peso” de representar uma legião de bandas independentes, Marília reflete: “Eu piro mais em pensar em melhorar como banda, musicalmente e artisticamente. Então eu quero que a gente chegue lá e entregue um show foda. O peso que eu sinto mais é esse. O medo de talvez não conseguir entregar o que as pessoas estão esperando. Mas no fim das contas, a gente só quer chegar lá, se divertir, entregar o melhor que a gente puder e é isso.”

O que esperar do Lollapalooza

Sobre quais shows a banda está mais ansiosa para assistir, Marília não esconde a animação. “A gente está muito, muito, muito, muito animado para ver Turnstile. E Deftones também. Mas Turnstile, com certeza, é a principal. A gente também quer muito ver o show da Cidade Dormitório, que é uma banda que vai tocar lá. Eles inspiram a gente desde 2019, antes da Jonabug existir. A gente queria muito ver eles no palco do Lolla e é a primeira vez que eles vão tocar lá também. A gente tocou com eles no ano passado e para a gente foi tipo o Arctic Monkeys conhecendo o Strokes. Foi essa a vibe, porque eles são uma referência total.”

E se fosse para conhecer alguém nos bastidores? “Com certeza eu iria querer conhecer o Turnstile, ou alguma pop, tipo a Addison Rae, que eu amo a diva.”

A Jonabug sobe ao palco do Lollapalooza Brasil 2026 no domingo, 22 de março, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo.