Balance and Composure ainda acredita na cena emo, e é por isso que o retorno funciona
Banda chega ao Brasil para show único neste sábado, 16 de maio

O público achou que Balance and Composure no Brasil nunca poderia ser real. Após o hiato, anunciado em janeiro de 2019, o vocalista Jon Simmons chegou a lançar alguns materiais por outros projetos, principalmente pelo Creeks. Em uma entrevista dada à revista DORK, inclusive, o músico revelou que nunca parou de compor para o Balance and Composure, mesmo tendo dúvidas se o grupo retornaria às atividades eventualmente.
Ao Downstage, Simmons não conteve o entusiasmo sobre vir ao Brasil pela primeira vez, mas também revelou a felicidade em finalmente estar tocando com sua banda de novo, após retornarem do hiato em 2023 com o single duplo “Savior Mode” e “Last to Know”, lançados em conjunto sob o nome Too Quick to Forgive.
“Nós sentimos que somos a mesma banda. São quatro dos membros originais, e agora temos o Dennis como novo baterista”, refere-se ele a Dennis Wilson, do Saves the Day [e, sim, temos uma pergunta sobre isso mais tarde]. “Ele está com a gente desde que voltamos e é fantástico. Então somos a mesma banda, ainda somos melhores amigos, sabe? Mas acho que com essa nova dinâmica a gente se diverte mais estando junto agora.”
Pegando o embalo sobre o integrante novo, Jon explica sobre a adição do baterista à dinâmica: “Sinto que o Dennis meio que salvou a banda”, revela. “Quando ele entrou, a dinâmica mudou completamente e a gente voltou a se divertir junto. Tornou tudo divertido de novo. Antes nem sempre era divertido, existiam certas dificuldades, e ele é uma pessoa tão tranquila e incrivelmente talentosa.”
Ele continua: “Parece certo, sabe? O encaixe perfeito. Hoje ele é como um irmão pra gente e tem sido fantástico. E nós também somos fãs de Saves the Day, então é muito legal.”
Olhando um pouco para trás, antes mesmo do comeback, Jon relembra das milhares de composições que produziu durante a pausa do Balance and Composure que acabaram não vendo a luz do dia em seus projetos paralelos. Questionado sobre o retorno da banda ter sido movido por uma nova onda de inspiração e coisas que eles queriam expressar, ou mais por colocar pra fora tudo aquilo que estava guardado, ele revela ter sido um pouco dos dois.
“Existiam ideias minhas e ideias dos outros caras que estavam guardadas há anos, sem sabermos se algum dia trabalharíamos elas”, explica. “Essas músicas nunca estiveram realmente finalizadas. Quando eu levava essas ideias pra banda, nós terminávamos juntos e só aí elas viravam algo completamente novo, seguindo direções que eu nunca teria imaginado sozinho.”
Ele complementa, dizendo que também haviam algumas músicas totalmente novas que surgiram nesses processos criativos em conjunto: “São algumas das melhores coisas que já fizemos. Então foi uma mistura de ideias antigas vistas sob uma nova perspectiva quando levadas para a banda inteira.”
Sobre fazer parte de uma cena
O Balance and Composure fez parte de uma cena muito específica do emo e do rock alternativo. Não é precipitado considerar o grupo um dos principais representantes de uma mistura sonora que combina emo melódico, grunge, shoegaze e rock alternativo, acompanhado de letras excessivamente tristes. No entanto, é completamente natural, após tantos anos fazendo parte de um movimento, não se sentir tão conectado a ele.
Para eles, no entanto, essa desconexão não aconteceu.
“Eu ainda me sinto parte dela”, ele responde. “Fizemos amizades nessa cena que viraram pra vida toda. Todo mundo torce um pelo outro e existe uma comunidade muito bonita ali. Então eu ainda me sinto parte disso e acho que nunca vou deixar de me sentir.”

Falando sobre essa abordagem triste nas letras, inclusive, Jon já relatou diversas vezes em outras entrevistas que sente um bloqueio na hora de explorar assuntos mais alegres. Sobre isso, ele explica que, apesar de não ser uma pessoa triste, encontra dificuldade em explorar outros assuntos porque, quando se sente feliz, quer viver aquilo.
“Não quero soar cafona”, ele brinca. “Minha criatividade vem mais do lado sombrio das coisas, dos sentimentos mais pesados, das coisas que me fazem pensar e refletir. Porque quando estou feliz, eu só quero permanecer naquele momento. Já quando estou triste, eu não quero ficar ali.”
Ele continua: “Então escolho escrever, colocar aquilo pra fora. Acho uma parte interessante de mim e algo que gosto de explorar e entender. Parece quase uma sessão terapêutica. Às vezes estou escrevendo e nem sei exatamente o que quero dizer até terminar a música. Aí olho pra trás e percebo uma autorreflexão acontecendo.”
“É um processo incrível pra mim, porque consigo enxergar onde eu estava emocionalmente, até de forma subconsciente”, finaliza.
A pós-produção do Balance and Composure
Dono de vários projetos, vocalista e guitarrista da banda, Jon revela que também é muito presente no estúdio em todas as etapas da produção de suas músicas. Questionado sobre a mixagem da banda ser uma referência muito forte para os artistas independentes do Brasil, ele se vê surpreso positivamente, mas também dá vários créditos a Will Yip, um dos produtores mais importantes do rock atual, que tem créditos em trabalhos de bandas como Turnstile, Title Fight e Code Orange.
“Ele mixou dois dos nossos discos e também Too Quick to Forgive”, ele explica. “Mas nós também somos muito intensos com nossas observações e opiniões, então trabalhamos junto com ele até chegar no ponto certo. E ele é um gênio. Ele entende a gente.”

“É muito vai e volta, muitas versões diferentes até todos ficarem satisfeitos. E é difícil fazer isso em cinco integrantes e mais o Will”, explica ele, falando sobre o momento em que seis pessoas ao todo concordam em tudo. “Mas essa é uma das minhas partes favoritas do processo. Eu gosto de imaginar como o fã ou o público vai ouvir aquilo pela primeira vez.”
with you in spirit: um dos melhores discos de 2024
Ao olhar pra trás e chegar até o disco de 2024 pós-hiato, Jon revela que adora analisar o crescimento sonoro e lírico do Balance and Composure.
“Nos primeiros dias éramos meio explosivos, muito altos e muito calmos ao mesmo tempo”, ele observa. “Gosto de ver essa progressão natural, nós aprendendo como compositores.”
Elogiado por “Alive & Well”, música favorita dessa que vos escreve, ele responde: “Isso é muito legal de ouvir porque ela foi a última que gravamos. Estamos sempre tentando evoluir como compositores. É interessante olhar para o meu ‘eu’ do ensino médio e perceber todo o trabalho que colocamos nisso pra nos tornarmos os compositores que somos hoje.”
O Balance and Composure se apresenta neste sábado, 16 de maio, no Cine Joia, em São Paulo. Essa é uma apresentação única da banda no Brasil, produzida pela NDP.
