Do MySpace ao mainstage: como o emo faz parte da história de Skrillex
Antes de virar Skrillex, Sonny Moore passou pelo From First to Last e ajudou a aproximar o post-hardcore do dubstep.

Tem artista que muda de sonoridade. E tem artista que muda a forma como uma geração inteira escuta música.
Skrillex nasceu Sonny John Moore, em 15 de janeiro de 1988, em Los Angeles. Foi adotado ainda bebê e cresceu na Califórnia. Antes dos palcos gigantes e dos prêmios, era um adolescente que passava mais tempo em shows e no computador do que em qualquer outro lugar.
Essa obsessão levou Sonny a dirigir cerca de duas horas para fazer um teste como guitarrista do From First to Last. Ele não saiu de lá com a vaga na guitarra. Saiu como vocalista principal.

DO INÍCIO AO FIM
No começo dos anos 2000, a banda virou um dos nomes mais comentados do post-hardcore. Discos como Dear Diary, My Teen Angst Has a Bodycount (2004) e Heroine (2006) circularam forte em uma época em que a Alternative Press era uma das principais vitrines da cena e a Vans Warped Tour funcionava como ponto de encontro da galera que respirava emo, punk e hardcore.
Músicas como “Note to Self” e “Emily” ajudaram a consolidar o grupo dentro do emo e do post-hardcore, e eles dividiram estrada com nomes como All Time Low e The Rocket Summer ao longo daquela fase.
Problemas nas cordas vocais e o desgaste natural de uma rotina intensa levaram à sua saída em 2007. A pausa parecia o fim de um capítulo. Mas, olhando hoje, dá para entender que era só uma transição.
O NASCIMENTO DE SKRILLEX
O nome Skrillex surgiu como projeto solo, quase um experimento. O dubstep já existia no Reino Unido, mas o que ele fez foi traduzir aquela estética para um público que vinha do hardcore, do emo e do metal. Quando muita gente ouviu Skrillex pela primeira vez, a sensação foi imediata: finalmente música eletrônica para punks e headbangers. Algo parecido com o impacto que The Prodigy e Aphex Twin causaram nos anos 90, cada um à sua maneira.
Em 2010, o EP Scary Monsters and Nice Sprites explodiu nas pistas e virou ponto de virada dentro do dubstep. O gênero já existia, mas Skrillex colocou ali a própria assinatura. Ele trouxe uma forma diferente de construir as faixas, com viradas inesperadas e picos que funcionavam quase como um breakdown de uma banda de post-hardcore. O EP venceu três categorias no Grammy Awards de 2012 e colocou seu nome definitivamente no centro da música eletrônica global.
Em 2011, veio outro marco: o EP Bangarang. A faixa-título se tornou um dos maiores sucessos da carreira, alcançando certificações de platina e multi-platina em diversos países e consolidando Skrillex como um dos principais nomes do dubstep naquela década. No mesmo período, o remix de “Cinema”, de Benny Benassi, rendeu a ele o Grammy de Melhor Gravação Remixada, ampliando ainda mais seu alcance dentro da indústria.
Ainda em 2011, ele dividiu estrada com o Korn na Path of Totality Tour, um encontro simbólico entre o dubstep que ele ajudava a popularizar e o nu metal que marcou os anos 2000. Era a ponte entre os dois mundos ficando explícita.
Esse diálogo com o universo da música pesada continuou nos anos seguintes. Em 2013, ele assinou um remix de “The Sadness Will Never End”, do Bring Me the Horizon, reforçando a conexão direta com a cena que o viu começar.
O ESTOURO NO MAINSTREAM E O REENCONTRO COM AS RAÍZES
Dois anos depois, formou o Jack Ü com Diplo. O projeto abriu ainda mais portas no mainstream e rendeu colaborações de alcance global, incluindo faixas com Justin Bieber. Skrillex deixou de ser apenas um nome forte da música eletrônica e passou a ser presença constante em produções pop de escala mundial.
Em 2017, veio um momento que parecia improvável alguns anos antes. Sonny voltou ao From First to Last para lançar “Make War”. A reunião rendeu alguns shows e aparições pontuais, nada extenso, mas suficiente para marcar um reencontro direto com o público que o viu crescer.
O sucesso também trouxe muita resistência ao longo de sua carreira. Ele virou alvo de críticas, memes e debates acalorados sobre o que era ou não “verdadeiro” dentro do dubstep. Mas os números seguiram falando por si. Hoje são 9 Grammys na estante, incluindo vitórias recentes pelos álbuns Quest For Fire e Don’t Get Too Close, que consolidaram sua fase mais madura.
Atualmente, o From First to Last segue ativo, com confirmações em festivais como Welcome to Rockville e Sonic Temple Art & Music Festival, além de lançamentos recentes como “Mirror Soul”, com participação de Kellin Quinn. Sonny não aparece nas movimentações mais recentes da banda, o que indica que, por ora, cada um segue seu próprio caminho.
Em 2026, essa história ganha mais um capítulo importante. Skrillex é headliner confirmado no Lollapalooza Brasil, com show marcado para o sábado, 21 de março, no Autódromo de Interlagos.
