5 documentários musicais para sobreviver ao Carnaval sem sair de casa (ou pra curar a ressaca)
Tem turnê lotada, punk brasileiro, caos absoluto, jazz, guerra, política e muito barulho

Nem só de glitter, suor e cerveja quente vive o Carnaval. Às vezes, tudo o que a gente quer é um sofá confortável, um fone de ouvido decente e boas histórias embaladas por música. Pensando nisso, nós do Downstage reunimos cinco documentários que passeiam por diferentes épocas, estilos e emoções — todos perfeitos para maratonar entre um bloquinho e outro, ou simplesmente fingir que a folia não existe.
Tem turnê lotada, punk brasileiro, caos absoluto, jazz, guerra, política e muito barulho. Ou seja: tudo que amamos.
5. Depeche Mode: M (2025)
Onde assistir: Netflix
Se você acha que documentário de turnê é tudo igual, M chega para te desmentir com classe, poesia e uma estética quase espiritual. Acompanhando a turnê Memento Mori, o filme constrói uma narrativa extremamente sensorial, conectando os shows do Depeche Mode no México com a relação cultural do país com a morte — e faz isso com uma fotografia simplesmente absurda de bonita.
São três dias seguidos de ingressos esgotados, mais de 200 mil pessoas e uma atmosfera que flerta constantemente com o ritualístico. Não espere um making of tradicional: aqui, a música vira quase um portal emocional. É um documentário para sentir mais do que entender — e funciona lindamente.
4. The Girls in the Band (2011)
Onde assistir: YouTube
Em três partes disponíveis no YouTube, esse documentário é praticamente uma aula de história dos Estados Unidos vista pelo ponto de vista de quem quase sempre ficou fora dos livros: mulheres musicistas.
A obra mergulha nas trajetórias de instrumentistas de jazz que enfrentaram décadas de machismo, racismo e sexismo em uma indústria construída para homens. Entre big bands, segregação racial e resistência diária, o filme constrói um retrato tão didático quanto necessário — e extremamente atual.
É daqueles documentários que te fazem pensar: “como isso não é mais conhecido?”. Essencial.
3. Becoming Led Zeppelin (2025)
Onde assistir: HBO Max
Antes de se tornar uma das maiores bandas da história, o Led Zeppelin era só um grupo de jovens tentando sobreviver em uma Inglaterra ainda traumatizada pela guerra. E é justamente nesse contexto que o documentário mergulha.
Com entrevistas exclusivas dos integrantes sobreviventes, imagens raríssimas e um panorama histórico que ajuda a entender de onde veio aquele som colossal, Becoming Led Zeppelin não é apenas sobre música, mas sobre formação cultural, ambição e sobrevivência.
Um prato cheio tanto para fãs quanto para quem quer entender como nasce uma banda lendária.
2. Desastre Total: Woodstock 99 (2022)
Onde assistir: Netflix
Se o Woodstock original simbolizava paz, amor e contracultura, a edição de 1999 provou que tudo isso podia virar lixo, incêndio e caos generalizado.
Dividido em três episódios, o documentário acompanha o colapso completo do festival: preços abusivos, infraestrutura inexistente, toneladas de lixo, revolta popular, incêndios e uma juventude à beira de um ataque de nervos coletivo, tudo embalado por nu metal — com Korn, Limp Bizkit e Rage Against the Machine sendo praticamente a trilha sonora oficial do apocalipse.
É tipo carnaval, só que com um pouco mais de fogo, menos glitter e muito mais ódio. Imperdível.
1. Botinada (2006)
Onde assistir: YouTube
Um retrato cru, direto e sem maquiagem da cena punk brasileira em seu nascimento. Botinada acompanha a juventude marginalizada dos anos 80, em plena ditadura militar tardia, mostrando como música, política e sobrevivência se misturavam nas ruas de São Paulo.
Entre relatos pesados, histórias de violência policial, ocupações culturais e muita contestação, o documentário ajuda a entender não só o surgimento do punk no Brasil, mas também por que parte dessa geração acabou tomando rumos tão contraditórios décadas depois.
É incômodo, necessário e extremamente atual (e também mostra muito do porquê de tantos daquela geração terem virado reaças).
Dica bônus: A Solidão do Emo Preto (2025)
Onde assistir: YouTube
Curto, direto e dolorosamente necessário, esse doc de 20 minutos discute identidade, pertencimento e apagamento dentro da cena emo, trazendo reflexões importantes sobre raça, solidão e memória afetiva.
Enfim, seja para fugir do barulho dos bloquinhos, curar a ressaca moral do Carnaval ou simplesmente trocar glitter por guitarras, esses documentários entregam tudo: emoção, reflexão, nostalgia, caos e muita música boa.
Porque, no fim das contas, nada melhor do que passar o Carnaval vendo gente passando perrengue musical na tela enquanto você está confortável no sofá.
