Os melhores EPs de 2025

Por André Artigas, Bernardo Gasino, Bia Vaccari, Camila Brites, Fábio Forni, Hugo Daflon e Talita Feijó
Há quem creia que, por serem trabalhos mais curtos, os EPs passem batidos ao longo do ano. Por aqui, não pensamos dessa forma: são projetos com conceito, sonoridade e produção inteiramente pensada da mesma forma que um álbum, e merecem tanto reconhecimento quanto.
Ao longo de 2025, tivemos EPs que marcaram nossa rotina e que merecem ser destacados por aqui. Fique agora com a lista dos melhores do ano, pela equipe do Downstage.
Kingdom of Giants – Burning Chrome
Lançado em setembro pela SharpTone Records, Burning Chrome reafirma o Kingdom Of Giants como a representação perfeita do metalcore moderno. O EP de seis faixas entrega um som polido e animado, unindo elementos de música eletrônica a riffs e refrões chicletes, como visto em “Collide” e “Cold Burn”. O trabalho se sustenta não apenas pela instrumentação, mas também pela execução de Dana Willax, que apresenta berros impecáveis e eleva o nível da produção.
Currents – All That Follows
Disponibilizado em 31 de outubro pela SharpTone Records, All That Follows demonstra como o Currents consegue renovar o metalcore sem abandonar suas raízes. O EP carrega uma atmosfera bastante melancólica, sendo ao mesmo tempo pesado e bruto, ressaltando as principais características da banda: riffs marcantes e a versatilidade de Brian, que transita com facilidade entre berros e vocais limpos. “It Only Gets Darker” e “Rise & Fall” exemplificam bem essa dinâmica.
Silent Planet, Invent Animate – Bloom In Heaven
Em sua curta duração de 12 minutos, o EP colaborativo Bloom In Heaven reúne o melhor da composição moderna de duas bandas marcantes para o metalcore experimental. O projeto é construído de forma inteligente: entrega uma faixa que representa a essência do Silent Planet, outra que espelha a identidade do Invent Animate e uma terceira que funde perfeitamente as sonoridades, justificando o apelido “Invent Planet”. O ponto alto deste trabalho de três faixas é, definitivamente, “All The Light is Gone”, que se destaca por sua letra forte e pessoal, selando uma colaboração de respeito e muito bem executada.
Profiler – Masquerading Self
Lançado de forma independente em dezembro, o EP Masquerading Self prova imediatamente que o Profiler tem algo a mais a oferecer, recusando-se a ser apenas uma cópia no movimento de revivalismo do nu-metal. Musicalmente progressivo, o trabalho de seis faixas utiliza a energia adolescente do gênero como inspiração, mas a funde com nuances sutis de grunge e post-hardcore. Com destaques para “Waste” e “888”, o registro mostra que, embora beba das fontes clássicas, a banda traz um frescor necessário e uma identidade própria.
AVOID – Creature of Habit
Lançado em novembro pela UNFD, o EP de seis faixas Creature of Habit reafirma a habilidade única do AVOID em entregar o que eles fazem de melhor: um metalcore divertido. Mais do que apenas música pesada, o grupo segue em sua missão de fortalecer o senso de comunidade através de um som que desafia gêneros, resultando em um trabalho dinâmico e viciante. Destaque para as faixas “If It Hurts” e “Sour Apple”.
Amira Elfeky – Surrender
Em Surrender, lançado em março, Amira Elfeky funde com sucesso nu-metal, alt-metal e elementos pop em uma sonoridade única. Embora existam críticas apontando similaridades com outros artistas do gênero, isso não diminui o impacto do EP: é um trabalho convidativo, bem produzido e onde os vocais de Amira caem como uma luva. Acompanhado por uma forte estética dark que permeia seus visuais, o registro de seis faixas se mostra confiante e consistente. Com destaques para “Take Me Under” e “Will You Love Me When I’m Dead”, Surrender confirma que a artista merece atenção.
House of Protection – Outrun You All
Idealizado por Stephen Harrison e Aric Importa, o House of Protection representa uma mudança radical em relação aos trabalhos anteriores da dupla (ex-Fever 333). Com a produção de peso de Jordan Fish e Zakk Cervini, o disco impressiona pela organização do caos: com tanta informação sonora, o resultado poderia soar confuso, mas tudo se encaixa perfeitamente na estrutura das músicas. Outrun You All bebe de diversas vertentes, combinando refrões contagiantes, riffs arrasadores, grooves eletrônicos e vocais dinâmicos de maneira impecável.
Headwreck – ATTITUDE ADJUSTMENT
Lançado em novembro, o EP ATTITUDE ADJUSTMENT marca uma evolução clara para o Headwreck, destacando o som autêntico e divertido da banda de metalcore de Brisbane. Com uma produção aprimorada e uma direção musical mais definida, o grupo mescla elementos de pop-metalcore e metalcore moderno de forma coesa. O trabalho, que conta com seis faixas inéditas e três remixes, serve como uma introdução revigorante para a nova era da banda, com destaques para as faixas “Plan Z” e “Buzzsaw”.
somacores – não aprendi a jogar
Um nome que poderia tranquilamente estar na lista de revelações de 2025, o duo carioca somacores já nasceu com uma maturidade ímpar.
A banda, que deu seus primeiros passos esse ano, carrega nas costas a bagagem que os irmãos Luke e Pedro de Aguiar acumularam durante anos trabalhando no meio musical. O resultado não poderia ser diferente: Um EP de estréia maduro, refinado e que tem tudo pra levar a banda até grandes palcos.
Sem Carne de Texugo – Nessa cidade nada acontece
Outro EP de estréia a compor nossa lista, o Nessa cidade nada acontece é a consolidação do trabalho recente do grupo curitibano nascido em 2024. Com uma sonoridade mais próxima do indie rock, ouvir o EP é como fazer uma viagem diretamente aos anos 2010, quando bandas como Strokes e Arctic Monkeys viviam seu auge.
Comsquência – Camélia
Depois de uma fase explorando um lado mais melódico, o Comsequência volta ao seu estado de origem: o bom e velho hardcore, com elementos de metalcore e metal alternativo.
Camélia mostra a banda paranaense mais afiada que nunca, com riffs marcantes e breakdowns explosivos que chamam atenção logo na faixa-título, além de letras que equilibram impacto e sensibilidade, como em “Depois da Escuridão” e “Memórias”.
Curtiu o novo do Stick to Your Guns? Então você precisa ouvir esse EP!
Deb and The Mentals – Old News
Em 2025 Deb and The Mentals decidiu voltar às origens e lançar composições em inglês em seu novo EP. Old News marca essa nova fase com novos integrantes e mantém a essência do grunge e do punk rock.
O EP traz 6 faixas com temáticas que, de alguma forma, se conectam entre si. As letras focam nos questionamentos sobre a sociedade em que vivemos, liberdade e coragem para ser quem se é e esperança para sonhar e sair da inércia. É uma obra potente e que impossibilita ouvir e ficar parado, típico do Deb and The Mentals.
Heavensgate – A Heart Is A Heavy Burden
Formado em Melbourne, Austrália, durante o lockdown de 2020 pelo baixista Aki Vickneswaran e pelo membro de estúdio Josh Ang, o Heavensgate se consolida como uma das forças mais virulentas do metalcore australiano com A Heart Is A Heavy Burden, lançado pela Pure Noise Records. O EP transita entre uma intensidade violenta e caótica nas faixas iniciais como “Burden of Being” e “Oblivion”, chegando a territórios próximos ao deathcore, antes de desacelerar em momentos atmosféricos e reflexivos como “Petrichor”, uma balada pesada com vocais suaves de Tharatt e Josh Ang sobre paisagens sonoras.
A verdadeira força do quarteto reside justamente nessa dualidade: enquanto “Darling Blue” surpreende com melodias melancólicas e um refrão cativante, o encerramento com “A Fawn Flayed” retorna à selvageria frenética e caótica. Explorando temas como isolamento, inadequação e a dualidade entre amor profundo e trauma pessoal, a banda tece suas experiências coletivas em uma narrativa que transborda emoção genuína. É inegável que o Heavensgate domina a arte de equilibrar brutalidade técnica com vulnerabilidade emocional em uma combinação rara que os coloca entre os nomes mais promissores da cena pesada atual.
Speed – All My Angels
Dispensando apresentações, o Speed se consolidou como uma das forças mais implacáveis do hardcore global contemporâneo. Lançado em outubro de 2025 pela Flatspot Records, All My Angels é um EP de três faixas que reflete sobre a perda de três amigos próximos nos últimos anos, magnificando o etos central da banda: amar incondicionalmente, sem medo ou arrependimento. Musicalmente, o trabalho explora contribuições para o hardcore moderno que vão além de breakdowns e refrões coletivos, influenciado por lendas do hardcore nova-iorquino como District 9, Crown of Thornz e Fahrenheit 451, enquanto a banda experimenta com samples e grooves mais profundos, entregando ganchos catárticos.
A abertura “Ain’t My Game” condensa tudo que torna o Speed funcional, misturando linhas de baixo selvagens com os vocais onipotentes de Jem Siow, enquanto “Peace” surpreende com mudanças de ritmo enfáticas e progressões de acordes que fluem e refluem. A faixa-título encerra o trabalho elevando cada elemento do projeto, mesclando brutalidade com passagens melódicas inesperadas e uma afirmação de resistência: “All my angels, I can’t give up”. É um trabalho breve, porém visceral, que demonstra a maturação artística de uma banda capaz de transformar luto coletivo em celebração à vida, sem jamais abandonar a selvageria que a tornou essencial para o hardcore atual.
Cold Mold – Straight Outta Cave
Grata surpresa diretamente de Curitiba, Paraná, a banda de hardcore Cold Mold chegou entregando um dos melhores EP’s nacionais do gênero, o forte Straight Outta Cave. Com 6 faixas extremamente secas e diretas, o quinteto soube como trazer diversos elementos das ruas junto do hardcore.
No trabalho é possível pegar pinceladas de hip-hop e slam que casam perfeitamente com o foco central. Além da sonoridade, temas relevantes como depressão e violência policial são caracterizados de forma agressiva e reta, ao exemplo de “Yellow” e “Shot Twice”. Vale destacar que dois dos membros também fazem parte da banda curitibana Declive, sensação do underground. Diretamente da caverna entregando o melhor do hardcore neandertal, Cold Mold é, com certeza, um dos destaques e surpresas de 2025.
Viúva Fantasma – Assunto Pra Depois
Questões cotidianas da juventude são temáticas utilizadas nesse novo EP do grupo campineiro Viúva Fantasma, que estreou uma nova fase em Assunto Pra Depois. Aqui, o quarteto revela amadurecimento e coragem para abordar algumas emoções, sentimentos e conflitos, sem desapegar totalmente de sua essência: abordar temas com a sinceridade crua e direta juvenil, sem medo de expôr tanto que fica guardado.
O amadurecimento da banda é notável nos arranjos e sonoridade, que conseguem contrastar muito bem com a juventude abordada nos versos. “Noite” e “BDZ” são dois pontos altos do EP, que tem tudo para ser um dos melhores trabalhos do grupo até então.
Dharma Numb – Trip
Viagens para o interior da psíque (e viagens propriamente ditas, por estradas e cidades) são tema principal de Trip, EP dos paulistanos do Dharma Numb, que brincam também com a fonética da palavra para lançar seu terceiro trabalho, com três faixas. Depois de uma experimentação com referências da música jamaicana em “Tropicaos”, a banda retorna às raízes do hardcore melódico com muito peso e modernidade, e agora encontrando seu lugar em versos cantados 100% em português. “Sólido”, com participação de Milton Aguiar do Bayside Kings, é o ponto alto do trabalho.
Relate. – Have I Ever Done Anything?
O grupo de post-pop punk de Denver lançou em outubro desse ano seu novo EP com seis faixas, Have I Ever Done Anything?, que fluem em 20 minutos do jeito que um projeto curto deve ser: fazendo o ouvinte querer mais. A sonoridade mistura a nostalgia atmosférica de festivais como Warped Tour, equilibrando com versos que abordam a fragilidade emocional super intensa, bem familiarizada entre os fãs do gênero.
É um EP que soa direto no peito duma forma bem pessoal, vale o play.
Public Works – Pocket Knife
Longe de grandes veículos de imprensa e fora do holofote da grande mídia, Pocket Knife quase passou despercebido se não fosse pelo algoritmo afiado das plataformas de streaming. E ainda bem que estar online na hora certa fez com que conhecêssemos um dos melhores EPs lançados esse ano: aqui, Public Works, mergulha numa viagem emocional sem precedentes, equilibrando uma construção e entrega energética, produção concisa e letras que relatam bem como é ser uma pessoa instrospectiva num ambiente meramente urbano e relacional.
