Pennywise fala sobre relação com o Brasil, seu legado, nova geração do hardcore e futuro

Prestes a fazer sua oitava passagem pelo Brasil, o Pennywise se prepara para ser o headliner da maior edição do festival We Are One, um dos maiores festivais de punk/hardcore do Brasil

O guitarrista Fletcher Dragge bateu um papo com o downstage e falou sobre a expectativa com o festival, o legado e influência do Pennywise, as novas bandas de hardcore, entre outras coisas.

A relação com o Brasil

A relação do Pennywise com o Brasil começou lá em 2004, mas ao longo dos anos, a banda criou uma conexão muito forte com o país. Reconhecendo que alguns lugares tem um público mais contido, mas que os fãs da América do Sul são malucos e conhecidos por serem muito passionais em relação a música, o guitarrista declarou que quando se fala de punk rock no Brasil, a paixão é ainda mais intensa.

“Cara, ficamos impressionados todas as vezes que fomos aí. A resposta dos fãs, o amor que eles demonstram, a valorização da música… é enorme. Pra mim, é um dos melhores lugares do mundo pra tocar, com certeza. O Brasil, no geral, é explosivo. A galera vai pra se divertir de verdade. Eles festejam mais e com mais intensidade do que a maioria dos países do mundo.”

Mesmo após tantas turnês em solo brasileiro, Fletcher ainda conseguiu destacar alguns shows como os mais marcantes. Ele relembrou a primeira passagem pelo país com o Bad Religion, quando tocaram em São Paulo e festejaram muita na noite anterior, ou quando tocaram um vez em Curitiba e ele ficou impressionado em como desde o primeiro acorde o público ficou insano e a casa parecia uma máquina de pipoca.

Legado e a nova geração do hardcore

Com mais de 30 anos de carreira, o Pennywise se tornou um dos nomes mais influentes e respeitados do punk rock. Influenciados por bandas como Black Flag, Descendents, Circle Jerks, Dead Kennedys, Minor Threat e Dag Nasty, o grupo hoje é uma referência para novos nomes do gênero, tendo seu legado celebrado pela nova geração. 

Para Fletcher, é uma honra ver sua música influenciando novas bandas, inclusive grupos de outros gêneros musicais fora do punk. Apesar de não pensar muito sobre o assunto, o guitarrista ainda se surpreende quando descobre que até mesmo celebridades como o ator Matthew McConaughey confessa ser um fã de Pennywise e da clássica canção “Bro Hymn”

Foto: Juan Castro

“Jack Black, um grande fã do Pennywise, tipo, indo aos shows, comprando ingressos… tipo, o quê? Então é bem engraçado. Mas, sim, é…É legal saber que tivemos alguma influência na cultura. Seja na música ou nas pessoas que cresceram ouvindo Fuck Authority ou Bro Hymn, carregando isso com elas. Eu sempre disse, tipo, talvez um dia um fã do Pennywise seja presidente dos Estados Unidos da América. E aí…Aí as coisas vão estar certas. Não vai estar tudo ferrado como está agora.”

Já olhando para a nova cena, que vem ganhando cada vez mais visibilidade com bandas como Drain, Turnstile, Speed e Scowl, o guitarrista olha com bons olhos como o termo “hardcore” vem sendo usado e ainda fala sobre a implicância dos fãs do gênero com o Turnstile.

“Só que eu acho que o termo “hardcore” está sendo muito usado por várias bandas, e acho isso bom, porque o hardcore anda junto com o punk rock. Então, se você curte Drain ou Turnstile, muita gente fala: “ah, Turnstile não é hardcore, é comercial”. Mas não, eles eram uma banda de hardcore. Sim, eles eram tipo punk rock. Foram criados no hardcore, como Angel Dust, sabe? Mas se você colocar uma playlist de Turnstile, provavelmente vai encontrar uma música do Pennywise ali, porque, tipo, todo mundo se influencia. Então, se um garoto que curte Turnstile ou Speed começa a ouvir Pennywise, isso é incrível.”

Covers e o futuro da banda  

Recentemente, o Pennywise gravou cover de “Same in the End”, do Sublime, e “Ace of Spades”, do Motörhead. Apesar de serem duas bandas completamente diferentes, ambas são muito influentes e se tornaram referência dentro de seus respectivos gêneros musicais. Fletcher falou sobre a importância das duas bandas para o Pennywise:

“Nós sempre tivemos um grande amor pelo Sublime e eu até toquei um pouco no novo álbum do Sublime com o Jacob, o que foi muito legal de fazer parte. Mas, sim, existe um legado ali em andamento e, cara, que banda incrível, que álbum incrível. Sou um grande fã do Motörhead. Eu escuto Motörhead desde 1981, mais ou menos. Tenho ali algumas letras escritas à mão pelo Lemmy — ele escreveu, amassou e jogou no lixo no estúdio. E o produtor me deu isso de presente no meu aniversário de 50 anos, o que foi muito incrível. Uma honra. Uma honra fazer parte disso e uma honra em dobro poder cantar essa música em memória dele.”

Apesar de ter lançado os covers, o último disco de inéditas da banda, Never Gonna Die, foi lançado em 2018. Esse é o maior período de tempo que o Pennywise ficou sem lançar um álbum, mas o grupo já tem planos para o futuro, já que Fletcher confirmou que tem muito material para trabalhar, coisas que ele escreveu na época da pandemia e que ainda pretende transformar em um disco.

“Então, são 290 músicas neste momento. É loucura. E eu comecei a escrever durante a pandemia, sabe? Então, sim…Estou ansioso para lançar um novo álbum, com certeza. Mas, ao mesmo tempo, não estou tão ansioso pelo processo, porque ele fica bem intenso. Só que, no final, você olha pra trás e pensa: “ok, todo o trabalho duro, todas as discussões, toda a paixão valeram a pena”. E eu acho que é isso que faz o Pennywise ser o Pennywise. É o fato de que somos todos diferentes, temos personalidades diferentes, ideias diferentes, e não é só uma pessoa escrevendo todas as músicas — o que funciona para algumas bandas.”

Um recado para os fãs brasileiros

Voltando ao Brasil depois de quase oito anos, o Pennywise sabe que o público está preparado para matar a saudade nos shows, principalmente na maior edição do We Are One.

“Acho que já faz muito tempo desde que estivemos no Brasil, tempo demais, e acho que eles estão prontos para um pouco de Pennywise, Millencolin e Mute. Vocês vão ter uma ótima noite, então estou esperando uma noite de paixão e camaradagem, e é tipo…uma explosão, vai ser bom agora.”

Com uma relação tão longa e calorosa com o Brasil, Fletcher deixou um recado especial para os fãs brasileiros:

“O amor que vocês demonstraram pelo Pennywise ao longo de todas as dificuldades e de tudo que passamos como banda…A gente realmente agradece a todos que estiveram com a gente durante todos esses anos. E, quer saber, não tenho muito mais a dizer além de: venham ao show e façam o que vocês sabem fazer. Sejam vocês mesmos. Tomem algumas cervejas, relaxem. Vamos fazer aquela festa insana como sempre fazemos. Nós amamos vocês. Nos vemos em breve.”