Turnstile: como a banda furou a bolha do hardcore e atingiu os principais festivais da indústria
Ampliando sua sonoridade sem perder sua essência, o Turnstile conseguiu se consolidar no mainstream e conquistar seu lugar em festivais como Lollapalooza e Coachella

O Turnstile se tornou um dos nomes mais relevantes do hardcore nos últimos anos. E não foram os dois Grammys que a banda ganhou recentemente, nas categorias de Melhor Álbum de Rock e Melhor Performance de Metal, que colocaram o grupo nesse patamar. Claro que as estatuetas vão ajudar a projetar ainda mais o nome da banda no cenário musical, mas essa consolidação já tinha sido construída antes.

Inclusive, o fato do Turnstile vencer a categoria de Melhor Performance de Metal, reforça como a sua popularidade tomou proporções bizarras. Mas, analisando a trajetória da banda desde o seu promissor disco de estreia, Nonstop Feeling (2015), é precipitado dizer que esse sucesso não foi merecido. O barulho que fizeram na cena musical com seu primeiro álbum e com o lançamento do EP Move Thru Me (2016), que colocou o grupo na posição 14 da Billboard Heatseekers Albums e em 19 na lista da Hard Rock Albums, foi o suficiente para conseguir lançar seu segundo disco por uma grande gravadora: a poderosa e renomada Roadrunner Records.
Lançado em 2018, Time & Space consolidou o Turnstile como um dos principais representantes da nova geração do hardcore. Mas como ir além desse feito, já que poucos nomes do gênero conseguem encabeçar grandes festivais e furar a bolha? A resposta da banda foi o trabalho que se tornou um divisor de águas em sua carreira, colocou o hardcore no mainstream e se tornou pauta de discussões na cena: o aclamado GLOW ON (2021).
A virada de chave com o lançamento de GLOW ON
O Turnstile já vinha ampliando seu som e experimentando timidamente novas possibilidades, mas foi com GLOW ON que tudo isso tomou uma proporção ainda maior. No disco, a banda flerta conscientemente com o rock alternativo, indie, dream pop, jazz e o shoegaze. Se desprendendo de rótulos, a música do grupo de Baltimore floresce e consegue chegar em novos terrenos, angariar novos ouvintes e transitar em universos que anteriormente pareciam desconexos, mas que agora se complementam.
E o hardcore? Continua lá. Esse se tornou um dos grandes diferenciais do Turnstile, que soube dosar o peso, a agressividade e a urgência do gênero com outras nuances. Na teoria, misturar hardcore com jazz pode não fazer sentido, mas, ao ouvir a parceria que a banda fez com o grupo de jazz BADBADNOTGOOD, tudo faz sentido.
Outro fator que fez o nome do Turnstile se espalhar, foi o caos das apresentações ao vivo. Os stage dives e mosh pits tradicionais dos shows de hardcore são colocados em um outro patamar nos shows da banda, fidelizando os fãs mais exigentes e atraindo a curiosidade dos novos ouvintes. Tudo isso, misturado com a estética vintage e a produção impecável de seu conteúdo audiovisual, que tem seu próprio storytelling, ajudou o Turnstile a furar a bolha e colocou seu nome em evidência no mainstream.
É seguro afirmar que o Turnstile encontrou sua identidade em GLOW ON, já que seu sucessor, NEVER ENOUGH (2025), soa como uma continuação natural. Mesmo sem inovar muito, NEVER ENOUGH continua experimentando e, principalmente, reforçando a base e a conexão que a banda criou nos últimos anos. Novamente, podemos ver todo o cuidado e preocupação que o grupo teve com o conceito, a estética e o audiovisual do trabalho.
O guitarrista Pat McCrory e o vocalista Brendan Yates revelaram, em uma entrevista para o Letterboxd, que NEVER ENOUGH teve influência de obras cinematográficas como Veludo Azul, de David Lynch, Sonhos, de Akira Kurosawa e Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson. O resultado: um álbum elogiado até mesmo por Elton John.
Furando a bolha e conquistando seu lugar nos maiores festivais
Com todo esse trabalho e preocupação com seus últimos lançamentos, o Turnstile conseguiu se consolidar como uma das bandas mais relevantes da atualidade. O reflexo disso foi o seu nome figurando no line up dos maiores festivais da indústria.
Para uma banda que saiu do cenário underground de Baltimore, ter o seu nome estampado em festivais como Outbreak, Kilby Bloc Party, Glastonbury, Coachella, Primavera Sound, Rock Am Ring e Lollapalooza mostra como o Turnstile continua furando a bolha, atingindo novos territórios e fidelizando sua base de fãs.
Falando especificamente de Lollapalooza, o grupo figurou no line up da edição brasileira em 2022, tendo um destaque menor e tocando ainda no início da tarde. Depois de uma turnê solo que passou pelo Rio de Janeiro e São Paulo com casas cheias, o grupo retorna ao line up da edição de 2026 do Lollapalooza Brasil como um dos headliners do festival no domingo, ao lado de nomes como Lorde e Tyler, The Creator.
É inegável a força que o Turnstile tem no cenário musical atual. A banda soube ampliar sua sonoridade sem perder sua essência e identidade. Claro que existem fãs dentro da cena que debatem sobre a fase atual do grupo, questionando se o Turnstile é ou não é hardcore atualmente. Mas, se o próprio Refused, um dos nomes mais conceituados e respeitados na cena, indicou o Turnstile como seu “sucessor” após a sua aposentadoria, em entrevista à Metal Injection, significa que eles têm uma certa credibilidade e respeito.
